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Luciano Scobar, Past-GM/RS é o entrevistado deste mês Entrevistas | enviado por admin | 11 de fevereiro de 2008

Alumni Entrevista: Você acompanhou a Associação Alumni desde sua criação. Como você resumiria a atuação desta instituição?

Past GME: A Alumni surgia no Brasil dois anos antes de eu me tornar Sênior.

De 1994 até 2001, aproximadamente, não se tinha muita informação sobre o que seria a alumni.

Aliás, acredito que os próprios fundadores da Alumni não sabiam muito bem o que estavam fazendo, penso que acreditavam que esta instituição seria a oportunidade de se manterem vivos na Ordem DeMolay, já que a maioridade, por sua cerimônia, era um solene “pé na bunda”, mandando que o Sênior fosse cuidar da sua vida.

Registro um parênteses que “cuidar da sua vida” significa, para mim, por em prática tudo o que tinha aprendido (ou que deveria ter aprendido) na Ordem DeMolay, enquanto DeMolay Ativo.

A verdade é que ninguém sabia para que servia a Associação Alumni e que participação ela teria na Ordem DeMolay.

O grande erro que identifico neste momento, foi de criar a Associação Alumni, sem antes saber como fazer o iniciado entender que ele não era mais um Demolay ativo e que sua participação da Ordem da forma como até então ele vivia, havia se encerrado. Ninguém sabia definir, ou sequer se comportar como Sênior.

O Sênior queria continuar usando capa, participando de reuniões do Capítulo, querendo decidir pelos Demolays ativos e o que é pior queria ter um status, ou uma patente, hierarquicamente superior aos dos DeMolays ativos.

Tanto isso é verdade, e tanto isso ocorreu, que a própria Associação Alumni Brasil, alheia a toda a significação da palavra “Alumni” importada dos EUA, começo a querer criar rituais, cargos ritualísticos e paramentos, para continuar se reunindo em salas Capitulares como se DeMolays fossem !!

Então existiu um período de completa e absoluta ausência da Alumni no Brasil, como de fato ela deveria ser.

Agregue-se a isso, o indicativo sintomático, que as “Grandes Lideranças” da Alumni, sempre foram na verdade, as mesmas pessoas que sempre tiveram a necessidade de ter um cargo de importância na instituição Demolay, para poderem trabalhar por ela.

Voltando ao RS, somente em 2001, com a visita do Ir. Bruno, é que começou a se desenhar uma idéia de Associação Alumni no Rio Grande do Sul.

Formamos uma primeira diretoria, da qual fui tesoureiro, e nossa primeira intenção foi a de fazer a alumni se espalhar pelo RS com a criação dos colégios para que não perdêssemos de nosso convívio, e do convívio da Ordem DeMolay, aqueles irmãos que sempre fizeram a Ordem Demolay Gaúcha.

A mentalidade que se queria construir era a de manter os Sêniors no convívio de seus capítulos, sem interferir nas administrações, mas com a oportunidade de mostrarem com as suas experiências de vida aos DeMolays Ativos - tomadas à luz dos ensinamentos da Ordem - onde poderiam haver acertos e erros.

A primeira coisa a se compreender é que o Sênior, para provar que a Ordem lhe foi útil, deveria deixar um pouco a Ordem. Parece paradoxal, mas não é. De que adianta um sênior, sem emprego, sem formação superior, sem família, sem ambições pessoais ?? quem ele influenciaria !?!? Para quem ele seria exemplo !?!? Para ninguém… nem para ele mesmo !!

E essa mentalidade, em nível nacional, custou a ser formada. Atrevo-me a dizer, por análise própria, que, esse conceito de sênior somente começou a ser construído, quando exatamente se iniciaram os primeiros rumores sobre a divisão de nossa Ordem, antes mesmo de 2004.

Ali se percebeu que a estrutura de Supremo Conselho estava comprometida e precisava de investimentos, sejam humanos ou econômicos, para que ela fosse mantida. Foi neste momento que os Seniores conseguiram se reunir em um grupo mínimo - que até hoje pensa que é a salvação da Ordem DeMolay - e começaram a concatenar, a coordenar suas habilidades pessoais e profissionais para conseguir manter o SCODB vivo. Não é de graça que hoje, não se conhece novas lideranças despontando, mantem-se vivas as mesmas, ao contrário do que acontece junto ao SCODRFB, que se moldou, exclusivamente, a partir dos princípios que sempre deveriam ter regido a Ordem DeMolay.

Alumni Entrevista: Então, pelos interesses certos ou errados, a Associação Alumni se consolidou no País hoje com o modelo ideal do que acredito seja o que deva ser mantido: O Sênior deve, antes de tudo crescer, tornar-se adulto, trabalhar, estudar, viver … e usar todos estes ingredientes, somados a sua vivência de Ordem DeMolay, para continuar contribuindo com a própria Ordem DeMolay. Mas contribuir, literalmente como um colaborador ocupando os espaços que de fato devem ser dedicados a ele.Alumni Entrevista: Você enxerga modificação na filosofia da DeMolay Alumni desde 1994, surgimento da Alumni no País, aos dias atuais? Você atribui esta mudança ao Supremo Conselho RFB, ou a outro advento?

Past GME: Eu enxergo uma ausência de filosofia da Demolay Alumni Brasil em 1994, e a preponderação de interesses particulares até quase, 2004. Ainda que estes interesses particulares também sejam uma filosofia da Associação.

O Supremo Conselho RFB, penso, foi o marco definitivo de ruptura desse paradigma viciado e corrompido. É inimaginável que Demolays Sêniors como Omar, Karatê, Erick Cisne, Cal, Sandro Romero, Semião, Suenilson e tantos outros (peço o perdão por não lembrar, neste momento em nominá-los) estivessem em silêncio profundo, hibernando, até que alguém os despertasse !!! Estes Sêniors de há muito tempo vinham fazendo a diferença em suas cidades e em seus Estados, contaminando os DeMolays Ativos com o Verdadeiro Espírito da Ordem Demolay.

Pergunte a qualquer deles, o nome de pelo menos um DeMolay ativo que eles tiveram a oportunidade de ajudar, que eles se emocionaram ao ver que graças ao auxílio que eles prestaram esse DeMolay mudou, sobreviveu se tornou alguém melhor. Eles não saberão te dar um nome … vão te dar pelo menos DEZ !!!! até por que não vão conseguir dizer um só por que todos estes DEZ, com toda a certeza, são igualmente importantes na vida desses Sêniors.
Agora, será que esta mesma pergunta pode ser feita àqueles ditos Sêniors que se intitulam os Pais da Associação Alumni !?!?!? para alguns talvez sim, mas serão muito, mas muito poucos mesmos.

Então veja, quando surge o SCODRFB, em que os Demolays ativos e as lideranças (ai me refiro às lideranças naturais - admiradas pelos DeMolays - e as lideranças constituídas - nem sempre a partir da vontade da Comunidade demolay) tomam a decisão (voluntária ou não) de buscar um modelo novo de Ordem Demolay ou permanecer no modelo existente, separa-se o joio do trigo.

A partir do SCODRFB, surge a possibilidade de a Ordem Demolay reconhecer e aclamar suas lideranças naturais, tudo graças a partir do voto direto, da verdadeira participação democrática.

E quando os modelos ideais de DeMolays (refiro-me àqueles admirados por toda a comunidade) começam a ser eleitos começamos a entender o que realmente queremos e o que realmente importa para a Ordem Demolay. E mais, entendemos que não importa o cargo, importa em saber que aquela liderança, em qualquer posição ou lugar, estará brigando pela Ordem Demolay.

Com isso, a Associação Alumni se solidifica e cria um perfil e um caráter. Ela começa a trabalhar, lado à lado com o Supremo, em uma parceria. Fazendo com que a juventude DeMolay consiga acender e manter acessas as sete virtudes cardeais em seus corações.

Alumni Entrevista: Umas das idéias da Associação DeMolay Alumni é agregar os Sêniores que obtiveram algum sucesso na sociedade, de modo a que este sucesso seja vinculada aos ensinamentos obtidos dentro das Salas Captulares. Você afirmaria que seu sucesso profissional provém do fato de ter sido, um dia, DeMolay, assim como, exaustivamente, faz o Presidente Bill Clinton em suas entrevistas?

Past GME: Sim. Abstraindo tudo que aprendi com minha família, foi a Ordem DeMolay quem me deu caráter, personalidade, amor, fé. Foi ela quem me deu exemplos do que ser e do que não ser.

Foi vivendo na Ordem Demolay, aprendendo com meus irmãos Demolays e com meus irmãos Maçons, vendo as suas experiências de vida, que aprendi o que queria da minha vida, como queria ser e como quero ser lembrado.

Somente para uma pequena correção eu “não fui um dia Demolay” … Eu SOU UM DEMOLAY …

Se sou o que sou hoje, com as qualidades e defeitos que tenho, devo isso à Ordem Demolay e aos exemplos que tive e tenho de pessoas maravilhosas com quem convivi e convivo como por exemplo meus irmãos Rodrigo Toledo, Leandro Olegário, Samir Merlo, Luiz Clóvis Júnior, Rodrigo Adams, Bruno Esperança, e tantos outros Demolays que como eles se tornaram Seniors no meu Capítulo. É com essas pessoas que eu divido as alegrias e angústias de minha vida … e é delas que eu tenho os conselhos e exemplos de que preciso.

Penso que meu sucesso profissional ainda está se consolidando … Há muito caminho pela frente e isso me faz ver e ter presente que a Ordem Demolay não é hermética, seus ensinamentos não são objetivos e determinados… Crescemos e aprendemos a cada dia pela oportunidade de convivermos uns com os outros e por isso que também refiro Sandro Romero, Omar, Cal, Karatê, Semião, Suenilson, Erick Cisne como alguns dos exemplos que também ajudam a formar meu caráter.

Alumni Entrevista: Você é considerado um DeMolay que defende suas idéias ferrenhamente e é sabido que o Estado do Rio Grande do Sul é marcado pela vanguarda, notadamente nos aspectos sociais. Sob o seu ponto de vista cultural e pessoal, o que deveria ser feito na estrutura da Associação DeMolay Alumni Brasil para minimizar a crise institucional pela qual nossa instituição vem passando?

Past GME: Temos que nos firmar como adultos. Reconhecer que crescemos e que somos profissionais capazes. Mais do que tudo isso, temos que nos comprometer, assumir responsabilidades.

Se todos nós fizermos isso juntos, não haverá sobrecarga para ninguém … e pararemos de ver sempre os mesmos lutados por todos.

Se houver comprometimento, engajamento, não haverá crise.

Como fazer para comprometer !?!? É simples, basta que o Sênior queira ao DeMolay Ativo, queira para a Ordem DeMolay, tudo o que de bom ele teve e aprendeu na Ordem … Basta que ele queira dar a mesma oportunidade que ele teve de ser alguém melhor, para todos os Demolays. SE ELE NÃO QUISER ISSO, SINTO MUITO, MAS NÃO É E NEM NUNCA FOI UM DEMOLAY DE VERDADE.

É um absurdo um país como o nosso, com a quantidade de Capítulos e de Demolays, mais de 8.000, que não tenhamos a capacidade de mobilização necessária para tirar do papel nossas idéias e para dar uma razão institucional para Associação Alumni.

Apenas para dar um exemplo. Imaginem 1.000 Sêniors demolays no Brasil. Todos profissionais, trabalhando … e que a Associação Alumni Brasil cobre dele R$ 50,00 POR ANO, ou seja, R$ 4,16 por mês. Teríamos uma arrecadação
Anual de R$ 50.000,00. Em três anos (e não precisa ser Einsten para chegar nesse resultado), seriam R$ 150.000,00, além dos dividendos obtidos com o investimento deste recurso.

Com R$ 150.000,00 é possível pagar quantas faculdades para os Irmãos necessitados !?!?! Quantos atendimentos médicos !?!? Quantos problemas de moradia podem ser solucionados !?!?!

E olha que é R$ 50,00 ANO, muitos Sêniors gastam isso em uma noite, fazendo festa !!!!

Vejam então que não precisamos muito para poder fazer muito … É preciso pouquíssimo, é preciso tão somente vontade !!!!

A partir desse exemplo, com R$ 50.000,00 por ano, podemos transformar a Associação Alumni em Fundação Alumni, receber verbas federais, do UNICEF, e destinarmos sua utilização para saúde e educação não só dos Demolays, mas de toda a sociedade.

Então a crise é da comodismo. É a crise do Sou ou não sou DeMolay!!!

Alumni Entrevista: Quanto à crise institucional você deu o seu ponto de vista. A Alumni Entrevista gostaria de saber qual sugestão de ação você daria aos dirigentes para que a Associação DeMolay Alumni possa atuar como um braço de apoio à Ordem DeMolay sem que houvesse conflito de atribuições com o Supremo Conselho e suas instituições afiliadas.

Past GME: É indispensável que a Associação Alumni e o Supremo Conselho definam o tipo de participação que a Associação terá junto à Ordem Demolay e como ela fará isso.

É preciso regular a participação do Sênior para que possamos ter ao nosso lado os Sêniors realmente comprometidos com nossa instituição.

Não há como conceber que um Sênior queira continuar com a Ordem Demolay, mas não queira continuar com a Associação Alumni. Onde está a lógica disso. Há um órgão que congrega o Sênior, lhe da visibilidade, e até legitimidade para seus atos e ele não quer fazer parte dele !?!

A Alumni tem que se erguer como força independente do SCODRFB, mas umbilicalmente ligada a ele exatamente pelos objetivos comuns que têm.

Conflito de atribuições somente ocorre quando cada uma das partes não sabe qual é o seu papel.

O SCODRFB zela pelas sete virtudes cardeais e para que elas sejam introjetadas no coração e mente de cada Demolay. A partir disso é que o Supremo faz cumprir as regras e regulamentos criados exatamente para que a Ordem não perca seus objetivos de vista.

A Alumni ao seu turno é a maior vitrine para a própria Ordem DeMolay provando que ela Ordem DeMolay funciona !!!

Definidas as atribuições de cada um destes órgãos, não há crise !!!

Então devemos consolidar os colégios, e as Associações Estaduais, criar uma meta de ação, um projeto possível e exeqüível e nos concentrarmos nele.

Por que não o exemplo que citei anteriormente !?! Por que não nos dedicamos a saber quantos somos e a criar um projeto que transforme a Alumni Nacional em uma fundação !?! Visionário isso !?! Não … Talvez seja mais visionário tirar os Sêniors do estado de inércia do que fazer da Associação uma fundação.

Não sou o certo, nem a tábua de salvação. Mas sou demolay desde 1989, e de lá para cá nunca parei de viver a Ordem e pela Ordem. Tudo que digo é possível de ser feito. Tudo o que quero é ver isso feito, ver uma ordem em que a iniciativa e o bem comum são seu objetivo.

Quero é poder mostrar ao meu filho, onde eu aprendi tudo que eu ensinei para ele.

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